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Quem procura moleza, não deve escolher a vida destinada ao pobre e explorado jornalista.
Seria melhor trabalhar como político que ganha muito e trabalha pouco.
Mas como isso não é para quem quer, e sim para que pode, vamos voltar ao mundo escravo do ralador – o jornalista.
Começa logo após a formatura, saem um monte de recém-formados – posteriormente classificados na hierarquia jornalística por focas – atrás de um emprego, crentes que vão ganhar muito e trabalhar pouco – como já disse, essa é a vida do político e não do jornalista –.
O pobre coitado consegue um estágio para trabalhar 8 horas/dia e ganhar quinhentinho.
Como no reino animal, é difícil tecer o primeiro contato com o mastodonte – conhecido também como redator que deveria saber tudo mas, se não sabe, sabe mandar muito bem –.
E, como já era de se esperar, começa mandando o recém-formado e sem experiência foca, para cobrir algo que nenhum jornalista que se considere veterano cobriria.
– Vai ver o problema dos buracos na rua 10 e aproveita para pegar as opiniões sobre o lixo que fica na rua 15. Há, não esquece do cano que estourou na rua 20, quero saber o motivo e a desculpa da empresa responsável –.
– Para amanha? – indaga o foca.
– Não, para ontem! – responde o grande Rex.
O coitadinho sai sem saber o vai encontrar pela frente.
– Isso vai ser moleza, faço tudo em algumas horas e mostro para esse velhote que sou bom... – pensa o foca.
Passadas essas algumas horas, o iniciante vê que o babado é mais em baixo e percebe que vai demorar muito mais que as tais algumas horinhas para cobrir tudo que o chefe mandou.
O bichinho quebra a cara algumas vezes e, depois de “muitas horinhas”, consegue concluir, leva até o redator e satisfeito com seu desempenho, pergunta como ficou.
O redator começa a ler, olha para o foca e – meu deus – começa o bombardeio...
– Isso está uma porcaria, aonde você estudou? Não aprendeu a escrever? É melhor mudar de profissão; até amanha e vê se melhora essa redação.
O foquinha sai derrotado – esse cara é um “%$#@&*” – e vai para casa descansar e pensar nos buracos e lixos que o acompanharão durante muito tempo.
Denison Marins
13/06/2002
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