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COISAS DA VIDA

É sempre a mesma coisa. Galera unida, coisas de universitários, com muitas coisas para contar.

Começa sempre do mesmo modo, festinha aqui, churrasquinho ali, bolinha acula e entre um drink e outro, a gente perde a noção do ridículo e”pimba” a besteira está feita.

No outro dia, chega aquele que se diz amigo, mas sequer tenta evitar o vexame.

– Meu, você não tem vergonha na cara? E a auto-estima onde fica?

A culpada é sempre a mesma – minha auto-estima foi embora depois da terceira caipirinha e ainda não voltou –, mas mesmo assim a gozação é obrigatória.

– Aqui se goza, aqui se é gozado! – isso nunca muda.

A pior parte é rever o objeto do crime quando estamos sóbrios, não da para acreditar no óbvio, mas ai começam a voltar as malditas lembranças do momento e ai não tem mais para onde fugir.

Bom, o objeto causador de tanto remorso e desespero chama-se mulher feia, aquela que ninguém quer e que você jura nunca pegar, porque vai pegar mal. O único consolo nesses momentos, é pensar que outros já pegaram e outros ainda vão pegar – tem doido para tudo neste mundo – pode ter certeza.

Fugir da gozação é impossível, o único jeito é ter o famoso ás na manga:

– Olha quem fala, já esqueceu o bagulho que tu pegou na festa?

– A sua era mais feia.

– Claro que não, era menos feia que a sua.

O importante nestas horas é nunca recuar, você acaba convencendo que a sua era menos feia.

Qual a moral da história?

– Moral? E você acha que alguém com um pingo de moral faria algo parecido?

O único remédio é esquecer a última e aguardar a próxima, talvez ela seja melhor.

Denison Marins

20/05/2002